Restaurantes seguram preço, mas faturamento cai até 30%

Restaurantes seguram preço, mas faturamento cai até 30%
Por LUDMILA PIZARRO

Sem aumentos significativos no valor médio da refeição desde 2017, bares e restaurantes tiveram o pior mês de abril nos últimos dez anos, segundo o presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Belo Horizonte e Região Metropolitana (Sindhorb), Paulo César Marcondes Pedrosa. “O setor de bares e restaurantes teve uma queda de 20% a 30% (em abril de 2019, na comparação com o mesmo mês do ano passado). A hotelaria foi melhor, com queda de 10%. Mas é, sem dúvida, o pior abril dos últimos dez anos”, afirma o dirigente.A pesquisa de preço de refeições fora de casa, realizada pela Associação Brasileira das Empresas de Benefícios ao Trabalhador (ABBT), aponta que, em 2018, o valor médio da refeição fora de casa em Belo Horizonte foi de R$ 31,10, um aumento de 1% na comparação com o montante de 2017, que foi de R$ 30,79. Na região Sudeste, segundo o estudo, a variação de preço foi de 3,6% na mesma comparação. Pedrosa acredita que a estabilidade dos preços é explicada por dois fatores. “O primeiro é que o valor do Ticket alimentação não teve reajuste. Um tíquete de R$ 30 (por dia) é muito bom. Os funcionários não costumam gastar mais do que R$ 20”, avalia.</p> <p>O segundo ponto é o desemprego. “Temos ainda uma população desempregada de mais de 12 milhões no país. Essas pessoas perderam o tíquete-refeição e essa realidade não mudou ainda. Não tem clima para aumento de preço nesse cenário”, afirma Pedrosa. A secretária Giselle Valentim recebe um valor de R$ 12,50 por dia para refeição e trabalha na avenida Raja Gabaglia, no bairro Buritis, na capital mineira. “Na região, não dá para almoçar com esse valor. Minha opção é trazer comida de casa”, relata. Como a empresa não tem refeitório, Giselle conta que ainda precisa pagar em torno de R$ 4 para esquentar a marmita em estabelecimentos próximos. “É tudo muito caro, tanto o restaurante como os próprios alimentos que compro para fazer minha comida”, afirma. A digitadora Márcia Cristiane da Silva Mendes, 41, optou por trocar o tíquete-refeição pelo vale-alimentação de R$ 19,90 por dia. “Mesmo optando pelo vale-alimentação, ele não é suficiente para o mês todo. Tenho que complementar com R$ 200, R$ 300 todo mês nas compras de supermercado”, afirma. Com um valor maior, de R$ 25 por dia, a auxiliar administrativa Bianca de Souza Mendonça, 20, conta que consegue almoçar, mas o valor restringe as opções. “Vou ao restaurante em que o preço cabe no tíquete. Eu até gosto de variar, mas nem sempre é possível”, afirma Bianca, que trabalha em Nova Lima, na região metropolitana de Belo Horizonte.</p> <p>Os restaurantes de comida a quilo são os preferidos de Bianca. A pesquisa da ABBT aponta que o preço médio nesse tipo de estabelecimento é R$ 28,72.Preço no sacolão sobe até 26% . Se os preços dos restaurantes estão estáveis em Belo Horizonte, isso não acontece com verduras e legumes. Um estudo do site de pesquisa de preço Mercado Mineiro aponta que, nos últimos dois meses, só o quilo do tomate comum subiu de R$ 4,86 para R$ 6,13, um aumento de 26%. O quilo da cebola branca subiu 15% no mesmo período, passando de R$ 3,90 para R$ 4,49, diz a pesquisa. “Além de não conseguir subir o preço, o restaurante tem que arcar com os valores mais altos dos alimentos. E tem produtos que no bufê de um restaurante a quilo não pode faltar”, diz o presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes e Similares de Belo Horizonte (Sindhorb), Paulo Pedrosa. A digitadora Márcia Cristiane da Silva Mendes, que trocou o vale-refeição pelo alimentação visando produzir uma comida mais barata, também reclama dos preços. “Eu tenho que fazer refeições mais balanceadas, mas o preço das verduras subiu muito de novembro para cá”, conta. Ela afirma que também percebeu o aumento no preço das carnes. Segundo o Mercado Mineiro, frutas como banana caturra e prata, mamão havaí e morango tiveram aumento entre 7,41% e 28% nos últimos dois meses do ano. Dia das Mães traz otimismo. O presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes e Similares de Belo Horizonte (Sindhorb), Paulo Pedrosa, espera um maio melhor do que abril em função do Dia das Mães (12/5). “Maio pode ter um resultado melhor, sem queda, em função do Dia das Mães, que é uma data tradicional para restaurantes. Mas não poderia dizer que vamos ter crescimento no faturamento”, avalia o dirigente. Safra ajuda Pesquisa. Os alimentos que tiveram queda de preço em abril frente fevereiro deste ano, nos sacolões da capital mineira foram o chuchu, o quiabo, a abóbora moranga e a mandioca.

Fonte: OTempo (www.otempo.com.br)


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