Pesquisa aponta queda na taxa do serviço de entregadores por aplicativo na capital em 4 anos

Uma semana após o protesto organizado pelos entregadores por aplicativos e motoboys, uma pesquisa mostrou queda nos preços praticados em Belo Horizonte em quatro anos. A redução foi de 8%, conforme levantamento do site Mercado Mineiro, divulgado nesta segunda-feira (6)

A queda em relação a julho de 2016 toma por base a cotação de uma entrega da avenida Raja Gabaglia, na região Centro-Sul, até a Praça Sete, no hipercentro. A pesquisa, realizada em 2 e 3 de julho, verificou os valores de cerca de 60 empresas e profissionais.

O levantamento corrobora uma das reclamações dos entregadores, que também solicitam melhoria nas questões de segurança para a categoria. Se há quatro anos o preço médio era de R$ 18,35 no trajeto, agora está em R$ 16,85.

O coordenador do Mercado Mineiro, Feliciano Abreu, disse que nesses quatro anos o preço médio do litro de gasolina em Belo Horizonte saltou de R$ 3,578 para R$ 4,062, reduzindo ainda mais a margem de lucro para os entregadores.

“Com isso, fica claro que o serviço é extremamente útil, mas está pouco valorizado. Os aplicativos de entrega de fato vieram para ajudar os consumidores, mas ao mesmo tempo não podem explorar os profissionais”, pontua Feliciano Abreu.

A pesquisa também avaliou o valor do frete para entregas próximas, em que constatou um aumento de R$15,43 passou para R$16,05 (4%).

Remuneração dos aplicativos

Os entregadores fizeram a manifestação na semana passada criticando a forma como são dados os repasses dos aplicativos para a categoria. “A verdade é que muitos de nós viraram escravos dos aplicativos. Por corridas de dez quilômetros, por exemplo, estão pagando R$ 5. Quando a tarifa sobe, não chega a R$ 8”, disse Cristiano Ferreira, de 46 anos, conhecido entre os colegas como “Motoboy Cristiano”, de 46 anos.

A Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), que tem entre seus associados as empresas iFood, 99 e Uber, informou que as “plataformas de delivery operam sistemas dinâmicos e flexíveis, que buscam equilibrar as necessidades de entregadores, de restaurantes e de usuários” e citou o contexto da pandemia de Covid-19 como fator que dificulta a situação dos entregadores, em virtude da competição acentuada pela absorção de mais trabalhadores na área. 

“As ações de combate à crise foram desenvolvidas mesmo em um cenário de acirramento da competição entre empresas e aumento expressivo no número de entregadores. Diante de um cenário econômico crítico como o da pandemia da Covid-19, a flexibilidade dos aplicativos foi essencial para que centenas de milhares de pessoas, entre entregadores, restaurantes, comerciantes e micro empresas, tivessem uma alternativa para gerar renda e apoiar o sustento de suas famílias”, diz em nota a Amobitec.

Fonte: Jornal Hoje em Dia

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