Gasolina mais cara; ataque à refinaria na Arábia Saudita provoca alta do combustível

Paulo Henrique Lobato

Depois de passar três dias negando que, pelo menos por enquanto, repassaria para o mercado nacional a alta internacional do petróleo, a Petrobras anunciou ontem um reajuste de 3,5% no preço médio da gasolina nas refinarias. Para o diesel, o aumento será de 4,2%. Os reajustes valem a partir desta quinta-feira. Com a decisão, especialistas do setor preveem que a alta chegue aos postos de combustíveis nos próximos dias.

Inicialmente, a empresa havia informado que iria “monitorar o mercado internacional”, impulsionado pelos ataques na refinaria da Saudi Aramco, na Arábia Saudita. O país é importante fornecedor mundial de petróleo, cujo preço é dolarizado.

Os ataques afetaram uma produção diária de aproximadamente 5,7 milhões de barris, o que corresponde a mais da metade do total diário, da ordem de 9,6 milhões. A quantidade de 5,7 milhões é considerada a maior ruptura da história. Para se ter ideia, a ruptura ocorrida na Guerra do Golfo (1990-1991) foi de 4,3 milhões diários.

Como o Brasil não é autossuficiente na produção, necessita do petróleo internacional. Diante disso, a alta era praticamente inevitável. 

“O ataque tem um impacto indireto (no Brasil), porque afeta a produção (mundial). O mercado, num primeiro momento, reage com pânico. O preço do barril do petróleo Brent (negociado na Europa) está em US$ 63,5 nesta quarta-feira. Antes (do ataque), estava em US$ 58. Bateu em US$ 69 e caiu. Mesmo com a queda, deverá ficar acima (do negociado antes da ruptura), o que impacta o preço nas bombas”, avaliou Eduardo Guimarães, analista da Consultoria Levante.

Guimarães, contudo, ressalta que não há como afirmar se o repasse será em parcelas ou de uma vez.
O especialista acrescenta ainda que o dólar poderá ficar mais alto do que o da semana passada em relação à tensão entre Estados Unidos e Irã. O governo americano afirma que os drones e mísseis que danificaram a produção na Saudi Aramco, que é a estatal saudita, partiu de território iraniano. Ontem o governo iraniano negou envolvimento no caso.

Mercado
O economista e professor do Ibmec Felipe Leroy destaca que o Brasil é suscetível à variação cambial por não ser autossuficiente na produção de petróleo.

“Temos, portanto, o problema da inflação do câmbio. Quando estoura o câmbio, estoura o preço do combustível, porque o governo não tem controle do preço dos combustíveis na bomba. O ataque gera restrição de oferta. Isso pode aumentar o preço. Nós somos muito impactados”, analisa Leroy.

Os próximos passos da Petrobras não interessam a penas aos consumidores, pois tanto acionistas da companhia quanto empresas interessadas na compra das refinarias da estatal assistem aos desdobramentos de perto.

Também será uma forma de analisar a autonomia da estatal brasileira diante do governo. Na administração Dilma Rousseff, por exemplo, o reajuste nas bombas foi freado para que a inflação não decolasse. 

Variação no custo por litro na Grande BH chega a 13,3%

Motorista que deseja abastecer o veículo na Região Metropolitana de Belo Horizonte precisa pesquisar bastante, pois a diferença entre o menor e o maior preços do litro de gasolina oscila em dois dígitos. 

É o que aponta a última pesquisa do site Mercado Mineiro, que mostra que o combustível é negociado entre valores de R$ 4,324 a R$ 4,899 (diferença de 13,3%).

Desta forma, levando-se em conta um veículo cujo tanque de combustível comporta 45 litros, o motorista poderá desembolsar R$ 194,58 no posto com o menor valor ou R$ 220,45, se optar pelo mais caro.

Trata-se de uma economia de R$ 25,875. Já na hipótese de o condutor encher o tanque uma vez a cada sete dias e levando-se em conta que o mês tem quatro semanas, a diferença sobe para R$ 103,5.

A título de curiosidade, o preço mais barato foi encontrado num posto na região Nordeste de BH. O mais caro, na Pampulha.

Impostos
Não é preciso ser especialista para concordar que uma forma de aliviar o bolso dos proprietário de veículos seria a redução da carga tributária, que corresponde a quase metade do preço médio da gasolina negociada nos postos pesquisados pelo site Mercado Mineiro.

De acordo com o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados do Petróleo do Estado de Minas Gerais (Minaspetro), o total de impostos sobre um litro de gasolina soma R$ 2,177. Na composição do preço médio praticado em BH, significa dizer que o motorista paga R$ 48,7% do valor em tributos.

“Certamente, o principal vilão do preço dos combustíveis é a carga tributária”, resumiu o Minaspetro em nota enviada ao Hoje em Dia. O maior vilão desta composição é o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), cuja alíquota no Estado é de 31%. O percentual, até o início de janeiro de 2019, era de 29%.

No interior, uma reclamação comum entre é a concentração de mercado, como reforça o professor do Ibmec Felipe Leroy: “Dois ou três postos de combustíveis dominam as revendas em determinadas cidades”. 

O Minaspetro, por sua vez, informou que “não comenta preços praticados pelos postos de combustíveis”, pois “essa é uma decisão individual de cada empresário”.

Fonte: Jornal Hoje em Dia


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